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Em 2018, um guia internacional foi publicado para orientar o diagnóstico e tratamento da síndrome dos ovários policísticos (SOP). Esse guia tem sido fundamental na prática clínica nos últimos cinco anos. Contudo, em agosto de 2023, uma nova versão deste guia foi lançada pelos mesmos autores, trazendo atualizações significativas.

As principais alterações no novo guia incluem mudanças nos critérios de diagnóstico. Agora, a ultrassonografia (USG) não é mais necessária para diagnosticar SOP em mulheres com irregularidade menstrual e hiperandrogenismo clínico, uma vez que outras causas sejam excluídas. A morfologia ovariana policística pode ser determinada por USG ou pela dosagem do hormônio antimulleriano (AMH), mas não ambos. A USG transvaginal é preferida, mas se a pélvica for usada ou um aparelho antigo for empregado, recomenda-se focar no volume ovariano ou no número de folículos por corte transversal. Elevados níveis de AMH podem agora substituir a USG para estabelecer a morfologia ovariana policística, mas sem um ponto de corte definido.

Além disso, a pesquisa de complicações associadas, como o status glicêmico, deve ser avaliada em todas as mulheres com SOP usando o teste oral de tolerância à glicose, devido à sua maior acurácia em comparação com a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada. A avaliação do perfil lipídico também é recomendada para todas as mulheres com SOP.

No que diz respeito ao tratamento, o novo guia aconselha contra o uso da combinação de etinilestradiol 35mcg + ciproterona 2mg como primeira linha de tratamento para mulheres que não desejam engravidar. Alternativas como doses mais baixas de etinilestradiol ou estrogênio natural são recomendadas. Novas orientações sobre drogas antiandrogênicas e a eficácia da metformina, isolada ou em combinação com contraceptivos hormonais, foram incluídas para melhorar os parâmetros metabólicos em mulheres com SOP, com particular atenção ao IMC e risco de diabetes.

Para mulheres que desejam engravidar, letrozol continua sendo a primeira escolha para indução da ovulação, com a adição de metformina como nova opção ao lado do clomifeno. A fertilização in vitro permanece como a terceira linha de tratamento para a infertilidade. Além disso, o inositol foi promovido de uma terapia experimental para uma opção terapêutica, baseado na preferência individual e no potencial benefício metabólico.

Este novo guia é uma ferramenta vital para os profissionais de saúde no manejo da SOP, oferecendo diretrizes atualizadas que refletem os avanços recentes na compreensão e tratamento desta condição complexa.

Ref: TEEDE, Helena et al. Recommendations From the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, v. 108, n.10, 2023, p. 2447-2469. Disponível . Acesso em: 19 set. 2023